EBBA – European Border Breakers Awards

Posted in Imagem, Som on Fevereiro 6, 2010 by gritomudo

Charlie Winston
Hobo

Charlie Winston (1978, Cornwall, Reino Unido) compositor e multi-instrumentista

Com uma longa história familiar na música (os seus pais, irmão e irmã são todos artistas da música), permitindo-lhe uma experiência sólida em todas as conexões no mundo da música, incluindo a escrita, gravação e reprodução de actos como o seu irmão Tom Baxter, Daniel Powter, Medi and the Medicine Show, Miranda Barber, Sam Semple e Judy Tzuke. Em 2009, HOBO foi o seu primeiro lançamento internacional com carta de sucesso no Reino Unido, França e Suíça.

porque a SIDA existe…

Posted in Berros, Imagem on Fevereiro 2, 2010 by gritomudo

eles copiam tudo

Posted in Imagem, Palco, Som on Janeiro 22, 2010 by gritomudo

A cópia nem sempre é pior que o original. Para tal basta que seja cativante. Repare-se como aos 5 anos se chega a PopStar com mais de um milhão de visualizações.

«qualquer distracção pode causar a morte do artista»

Posted in Imagem, Textos on Janeiro 8, 2010 by gritomudo

 

RETRATO DE MÓNICA  
Mónica é uma pessoa tão extraordinária que consegue simultaneamente: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, ser dirigente da «Liga Internacional das Mulheres Inúteis», ajudar o marido nos negócios, fazer ginástica todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, ir a muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda a gente, gostar dela, dizer bem de toda a gente, toda a gente dizer bem dela, coleccionar colheres do séc. XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser sócia de todas as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito séria.

Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mónica. Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre ou do ioga ou da pintura abstracta.

Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disciplina rigorosa e constante. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a sol.

De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.

A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias.

Isto obriga Mónica a observar uma disciplina severa. Como se diz no circo, «qualquer distracção pode causar a morte do artista». Mónica nunca tem uma distracção. Todos os seus vestidos são bem escolhidos e todos os seus amigos são úteis. Como um instrumento de precisão, ela mede o grau de utilidade de todas as situações e de todas as pessoas. E como um cavalo bem ensinado, ela salta sem tocar os obstáculos e limpa todos os percursos. Por isso tudo lhe corre bem, até os desgostos.

Os jantares de Mónica também correm sempre muito bem. Cada lugar é um emprego de capital. A comida é óptima e na conversa toda a gente está sempre de acordo, porque Mónica nunca convida pessoas que possam ter opiniões inoportunas. Ela põe a sua inteligência ao serviço da estupidez. Ou, mais exactamente: a sua inteligência é feita da estupidez dos outros. Esta é a forma de inteligência que garante o domínio. Por isso o reino de Mónica é sólido e grande.

Ela é íntima de mandarins e de banqueiros e é também íntima de manicuras, caixeiros e cabeleireiros. Quando ela chega a um cabeleireiro ou a uma loja, fala sempre com a voz num tom mais elevado para que todos compreendam que ela chegou. E precipitam-se manicuras e caixeiros. A chegada de Mónica é, em toda a parte, sempre um sucesso. Quando ela está na praia, o próprio Sol se enerva.

O marido de Mónica é um pobre diabo que Mónica transformou num homem importantíssimo. Deste marido maçador Mónica tem tirado o máximo rendimento. Ela ajuda-o, aconselha-o, governa-o. Quando ele é nomeado administrador de mais alguma coisa, é Mónica que é nomeada. Eles não são o homem e a mulher. Não são o casamento. São, antes, dois sócios trabalhando para o triunfo da mesma firma. O contrato que os une é indissolúvel, pois o divórcio arruína as situações mundanas. O mundo dos negócios é bem-pensante.

É por isso que Mónica, tendo renunciado à santidade, se dedica com grande dinamismo a obras de caridade. Ela faz casacos de tricot para as crianças que os seus amigos condenam à fome. Às vezes, quando os casacos estão prontos, as crianças já morreram de fome. Mas a vida continua. E o sucesso de Mónica também. Ela todos os anos parece mais nova. A miséria, a humilhação, a ruína não roçam sequer a fímbria dos seus vestidos. Entre ela e os humilhados e ofendidos não há nada de comum.

E por isso Mónica está nas melhores relações com o Príncipe deste Mundo. Ela é sua partidária fiel, cantora das suas virtudes, admiradora de seus silêncios e de seus discursos. Admiradora da sua obra, que está ao serviço dela, admiradora do seu espírito, que ela serve.

Pode-se dizer que em cada edifício construído neste tempo houve sempre uma pedra trazida por Mónica.

Há vários meses que não vejo Mónica. Ultimamente contaram-me que em certa festa ela estivera muito tempo conversando com o Príncipe deste Mundo. Falavam os dois com grande intimidade. Nisto não há evidentemente, nenhum mal. Toda a gente sabe que Mónica é seriíssima toda a gente sabe que o Príncipe deste Mundo é um homem austero e casto.

Não é o desejo do amor que os une. O que os une e justamente uma vontade sem amor.

E é natural que ele mostre publicamente a sua gratidão por Mónica. Todos sabemos que ela é o seu maior apoio; mais firme fundamento do seu poder.

Sophia de Mello Breyner Andresen
Contos Exemplares
Porto, Figueirinhas, 1996 (29ª ed.).

o rapto de Hélène

Posted in Imagem, Palco, Som on Novembro 11, 2009 by gritomudo


Jacques Offenbach (20 June 1819 – 5 October 1880)
“La Belle Hélène”
Paris – Théâtre du Châtelet – 2001

a voz

Posted in Berros on Novembro 10, 2009 by gritomudo

Com ele que aprendi…
Lembro-me das directas… os exames…
O rádio baixo, toda a casa dormia.
A Musica…
The Durutti Column
Joy Division

O António Sérgio
A voz

antonio_sergio
“António Sérgio nunca esteve bem em qualquer estação de rádio. Mesmo quando a rádio era rádio. Porque António Sérgio é uma estação de rádio andante e uma estação não cabe noutra estação”.
Miguel Esteves Cardoso

quem me dera encontrar o verso puro

Posted in Imagem, Palco, Textos on Outubro 5, 2009 by gritomudo

quando penso o Fado, penso em Gaivota
agora gostaria que o sentissem

 

Um simples mundo

Posted in Berros, Imagem, Textos on Setembro 12, 2009 by gritomudo

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CARTA A MEUS FILHOS SOBRE OS FUZILAMENTOS DE GOYA

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.

(…)
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa – essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia

- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -

não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objeto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

 

Lisboa, 25/6/1959

Jorge de Sena

GATILLASO

Posted in Imagem on Agosto 27, 2009 by gritomudo

Família Feliz

Em tempo de tristes dias que se avizinham, (eleições à porta) mais val RIR.

C’est comme ça,

Posted in Imagem, Som, Textos on Agosto 24, 2009 by gritomudo

Ta Main

Tu sabes que ainda é difícil,
Para mim de falar de ti,
Parece que é normal,
Não existem regras nesse tipo de jogo.

Tu sabes minha voz aperta,
Quando te cruzo em algumas fotos,
Tu sabes meu coração está-se perdendo,
Acho que ele ainda pensa um pouco em ti.

É assim
É assim

Queria ter segurado a tua mão,
Um pouco mais…
Queria ter segurado a tua mão,
Um pouco mais…
Queria que a minha angustia,
Durasse apenas um instante.
E sabes espero pelo menos
Que tu me entendas.

É difícil quebrar o silêncio,
Mesmo nos gritos, mesmo em festa,
É difícil de combater a ausência,
Pois esta louca só o faz na cabeça dela.

E ninguém pode entender,
Todos nós temos uma história própria.
Dizem que se deve esperar,
Que a tristeza fique irrisória.

É assim
É assim

Queria ter segurado a tua mão,
Um pouco mais…
Queria ter segurado a tua mão,
Um pouco mais…
Queria que a minha angustia,
Durasse apenas um instante.
E sabes espero pelo menos
Que tu me entendas.

Eu queria te dizer que fiquei orgulhoso,
Por ter tido pelo menos um dia,
Um pouco o teu irmão e amigo,
Embora a vida tenha as suas curvas.

É assim
É assim

Queria ter segurado a tua mão,
Um pouco mais…
Queria ter segurado a tua mão,
Um pouco mais…
Queria que a minha angustia,
Durasse apenas um instante.
E sabes espero pelo menos
Que tu me entendas.